DESENVOLVIMENTO MOTOR NORMAL DA CRIANÇA
Dentre as reações de retificação somente esta presente à reação cervical de retificação. Quando o bebê faz uma rotação ativa de sua cabeça também irá ocorrer uma rotação da coluna e se essa rotação da cabeça for bastante forte, o bebê vai virar para o lado da rotação. O bebê tem um controle fraco devido sua reação labiríntica de retificação também se apresenta de forma fraca. Na posição prona, ele só consegue levantar a cabeça por alguns momentos, embora consiga virá-la para os lados. As reações óticas de retificação ainda não estão presentes. As reações de equilíbrio estão ausentes. Isso pode ser comprovado colocando-se o bebê na posição supina ou prona em uma mesa, e se esta for inclinada para um lado, o bebê rolara para o lado mais baixo sem nenhuma reação adaptativa. O reflexo tônico cervical assimétrico não é encontrado no recém-nascido. As atitudes tônicas cervicais assimétricas mais definidas aparecem pela quarta ou quinta semana, após um aumento no desenvolvimento do tônus extensor. Essa resposta é muito imprevisível e variável, não sendo suficientemente forte para interferir nas atividades gerais do bebê.
O bebê apresenta outras reações automáticas que são:
a) Reflexo de Apoio - é obtido quando se coloca o bebê em pé sobre uma mesa. Ele se endireitara gradualmente, assumindo uma postura;
b) Reflexo da Marcha - coloca-se o bebê de pé sobre uma mesa e o examinador suporta o tronco do bebê com suas mãos. As pernas se estenderão e ele se endireitara para assumir a posição de pé. Quando estiver esticado e se inclinar ligeiramente para frente, o bebê começará a andar com passos bem coordenados e ritmados.
c) Reação de Galant - ou reflexo de encurvamento do tronco; é testado com o bebê na posição prona ou em suspensão ventral. A pele da região lombar é picada com um alfinete do tronco em direção ao lado estimulado. Esse reflexo desaparece normalmente durante o segundo mês, e quando ele é conservado por um longo tempo, pode significar demora no desenvolvimento da estabilização simétrica do tronco e dos movimentos independentes da cabeça, que são necessários para sentar, ficar de pé e andar;
d) Reação de Colocação das Pernas - é obtida levantando-se o bebê na posição ereta e delicadamente levando a parte anterior da perna ou o dorso do pé ao contato da borda da mesa. O bebê flexionará a perna e colocara o pé acima da superfície da mesa, seguida pela extensão das pernas assim que a sola do pé tocar a superfície.
Um importante aspecto do comportamento motor de um bebê normal é a sua variabilidade. Os sistemas responsáveis pela movimentação normal dos bebês são: sistema vestibular, o visual e o proprioceptivo. A criança vai vencer a gravidade de acordo com seu estado emocional e sua motivação. O seu desenvolvimento vai progredindo à medida que ela começa a explorar o meio ambiente, elaborando estratégia para alcançar objetos, estabelecendo noção de esquema corporal, cognição, graus de liberdade de movimento, tônus normal, velocidade de movimento, memória, variação de movimentos. A gravidade vai agir sobre o labirinto fazendo com que o corpo reaja contra a gravidade, ativando com isso a regulação do to nus, e vai recebendo informações que vão estimular a parte visual e assim estimulando as funções necessárias para seu desenvolvimento.
DESENVOLVIMENTO MOTOR NA PARALISIA CEREBRAL
Na paralisia cerebral, a lesão interfere na seqüência do desenvolvimento da criança. Os sintomas do retardo motor são seguidos, cedo ou tarde, pelo aparecimento de padrões anormais de postura e movimento, em associação com o tônus postural anormal. Com o gradual aparecimento da atividade tônica reflexa, as atividades extensoras e flexoras tornam-se mais fortes, nas posições supina ou prona respectivamente.
FATORES IMPORTANTES NA AVALIAÇÃO DA PARALISIA CEREBRAL
Pelo menos três fatores devem ser considerados nos casos de paralisia cerebral. Estes fatores, juntos determinarão o quadro individual. Estes fatores são: o tipo e a força do tonus muscular anormal, o tipo de distúrbio da inervação recíproca e a distribuição do quadro e o padrão predominante de postura e de movimento. Nos pacientes com paralisia, as qualidades anormais de tônus postural não estão muito nítidas, e o principal problema de tratamento é o de reconstruir padrões seguindo a seqüência do desenvolvimento ao invés de inibir os padrões anormais de postura e movimento junto com a facilitação de padrões motores normais. O tratamento nos bebes pode impedir o desenvolvimento do quadro completo da anormalidade, e a inibição de padrões anormais tem uma importância menor.
Tônus Muscular Anormal
Hipertonia e hipotonia como fenômeno muscular são muito variáveis e isto vai alterar o quadro geral e a excitabilidade da criança e com a força e rapidez do estiramento muscular;
Diferentes tipos de anormalidades do tônus muscular podem ser observados na mesma criança em diferentes partes do corpo;
Um tipo de tônus muscular anormal nas partes afetadas pode mudar com o tempo;
A força e a distribuição da hipertonia, em qualquer parte do corpo, vai mudar as alterações de posição da cabeça no espaço ou na posição da cabeça e pescoço em relação ao tronco, como resultado da atividade tônica reflexa.
Distúrbio da Inervação Recíproca
O conhecimento da inervação recíproca pode ser de grande valor para diferenciar os vários tipos de paralisia cerebral e oferece idéias para o tratamento da paralisia cerebral. A inervação recíproca também foi considerada importante para a regulação do tônus da postura, na manutenção da postura e da execução dos movimentos normais. A este fenômeno chama-se de inibição recíproca, que pode ser classificada como um fenômeno do SNC.
Padrões Predominantes de Postura e Movimento
Na fisioterapia, ortopedia e cirurgia, tem-se levado a ênfase para os músculos e as articulações de um membro em particular e para os efeitos das mudanças posturais locais. Esta abordagem despreza o fato de que a espasticidade não reside em um ou dois grupos musculares de um membro, mas é coordenada em padrões que envolvem todos os músculos das partes afetadas do corpo todo.
REFLEXOS TÔNICOS
Os reflexos tônicos importantes na paralisia são o Reflexo Tônico Labiríntico; os Reflexos Tônicos Cervicais; as Reações Associadas e as Reações Positivas e Negativa de Suporte.
Reflexo Tônico Labiríntico: Este reflexo é evocado pelas mudanças na posição da cabeça no espaço, provavelmente pela estimulação dos órgãos otolíticos dos labirintos. Na criança com paralisia cerebral ele causa um máximo de tônus extensor na posição supina e um mínimo de hipertonia extensora com um aumento de tônus flexor na posição prona.
Reflexo Tônico Cervical Assimétrico: Esta e uma resposta proprioceptiva que origina-se nos músculos do pescoço e talvez nos receptores sensoriais dos ligamentos e da articulação da coluna cervical. No caso de virar a cabeça para um lado, aumenta a hipertonia extensora no lado para qual a face está virada e aumenta hipertonia flexora no lado oposto.
Reflexo Tônico Cervical Simétrico: Esta também e uma resposta proprioceptiva dos músculos do pescoço por um movimento ativo ou passivo de levantar ou flexionar a cabeça. Quando se realiza este movimento, haverá aumento da hipertonia extensora dos braços e flexora das pernas, já quando flexiona a cabeça produz-se o efeito oposto.
Reações Associadas: Estes são também chamados de movimentação associada e podem ser vistas nas pessoas normais quando fazem exercícios árduos como quando levantam grande peso. Nas crianças com paralisia haverá aumento de espasticidade em todas as partes do corpo.
Reação Positiva de Suporte: Esta é a modificação tônica do impulso espinhal extensor, fazendo de um membro um pilar para o suporte de peso. Ele é produzido por um duplo estímulo: o tátil que e pelo toque do antepé no chão e o proprioceptivo, pela pressão resultante do estiramento do músculo intrínseco do pé.
TIPOS DE PARALISIA CEREBRAL
A Criança Espástica: A criança espástica mostra hipertonia de um caráter permanente que pose ser espástica ou plástica. O grau de espasticidade varia com a condição geral da criança, isto é, sua excitabilidade e a força do estímulo a que ela está sujeita a qualquer momento. Se a espasticidade é grave, a criança e mais ou menos fixada em algumas posturas típicas devidas aos severos graus de co-contração das partes envolvidas, especialmente em torno das articulações proximais. A espasticidade é de distribuição e alterações típicas de um modo desprezível, devido a atividade reflexa tônica.
Diplegia Espástica ou Paraplegia: Na criança diplégica as extremidades inferiores são mais gravemente atingidas que as superiores. Esta condição é de distribuição bem simétrica. O controle da cabeça e geralmente bom, e a fala e articulação não são afetadas. Se os braços estão apenas levemente envolvidos, estas crianças são usualmente classificadas como paraplégicas.
Quadriplegia Espástica: Neste tipo de paralisia cerebral, o corpo todo está afetado; a distribuição é muito assimétrica, um lado sendo mais envolvido que outro e os membros superiores sendo mais afetados. Por estas razões, estes casos são referidos como dupla hemiplegia. Sendo as partes superiores mais afetadas, o controle da cabeça geralmente é mau, e a fala e a articulação são mais ou menos envolvidas.
Hemiplegia Espástica: O diagnóstico precoce da hemiplegia espástica usualmente não e difícil por causa da assimetria dos padrões posturais e de movimentos que cedo aparecem. A mão afetada está bem fechada e o bebê não abre. Ele não chuta com a perna afetada. Ele não passa pelos estágios de desenvolvimento simétrico do bebê normal, que começa em torno das dezesseis semanas. Ele assim não usa ambas as mãos na linha mediana, não alcança nem agarra com a mão afetada e não se suporta sobre o membro hemiplégico.
A Criança Atetóide: Todo paciente atetóide mostra um tônus muscular instável e flutuante, mas a amplitude das flutuações pode variar nos casos individuais. Estas crianças têm o tônus postural de sustentação deficiente e não podem, manter uma posição estável. Há insuficiente fixação postural devida a falta de co-contração, isto e, contrações simultâneas de agonistas e antagonistas, que orientam e suportam Os segmentos em movimento.
Muitas posturas desordenadas e movimentos típicos da paralisia cerebral são o resultado de reações posturais não controladas que persistem até idades em que elas já são consideradas anormais. A partir de uma compreensão do movimento normal incluindo a percepção usa-se a facilitação de movimentos e posturas seletivas, objetivando-se um aprimoramento da qualidade de vida.
Drª Luciana Passos
Fisioterapeuta
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